quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Lenda da Mariposa

Conta a lenda que uma jovem mariposa voava ao sabor do vento certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante, e se apaixonou.
Excitadíssima, voltou imediatamente para casa,
louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor.
Que bobagem, você esta louca! - foi a resposta fria que escutou.
- As estrelas não sabem da nossa existem, para elas servimos apenas para que apreciemos e invejemos sua luz, alem do mais elas não foram feitas para que as mariposas
possam voar em torno delas, elas são inatingiveis. Procure um poste ou um abajur, e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe, e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta. - Que maravilha poder sonhar!- pensava.
Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, com as outras estrelas, e mesmo assim
e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante, e demonstrar sua admiração, por que sabia que ele jamais viria até ela.
Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal.
Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho,
iria terminar chegando na estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava .
Esperava com ansiedade que a noite descesse,
e quando via os primeiros raios da estrela,
batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa:
- Estou muito decepcionada com você, todas as suas irmãs, primas e sobrinhas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Só o calor de uma lâmpada é capaz de aquecer o coração de uma mariposa; você devia deixar de lado estes sonhos inúteis e absurdos, e arranjar um amor que possa atingir.
A jovem mariposa irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo - como, aliás, sempre acontece
- ficou marcada pelas palavras da mãe, e achou que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela
e apaixonar-se pela luz dos abajures de casas suntuosas, pelas luminárias que mostravam as cores de quadros magníficos, pelo fogo das velas que queimavam nas mais belas catedrais do mundo.
Mas seu coração não conseguia esquecer a estrela, e,
depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.
Noite após noite, tentava voar o mais alto possível,
mas quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto,
à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção em tudo que via à sua volta. Lá do alto, podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas, irmãs e sobrinhas
já tinham encontrado um amor. Via as montanhas geladas, os oceanos com ondas gigantescas,
as nuvens que mudavam de forma a cada minuto.
A mariposa começou a admirar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo se passou, e um belo dia ela resolveu voltar à sua casa. Foi então que soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs, primas e sobrinhas, e todas as mariposas que havia conhecido já tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas,
destruídas pelo amor que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo toda noite algo diferente e interessante. E compreendendo que, às vezes,
os amores impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles que estão ao alcance de nossas mãos.

 Autor desconhecido.

sábado, 15 de maio de 2010

A capa da felicidade

Ontem foi um dia ótimo, mas de uma certa forma foi especial... Nã aconteceu nada extraordinário aos olhos de outras pessoas...  mas eu recebi um 'chacoalhão' da vida quando eu percebi o imenso valor das coisas simples e como eu sou um 'nada' em relação à tudo o que existe no mundo... Naquele fragmento de realidade olhando tudo o que me cercava, eu senti uma felicidade única por simplesmente estar viva e por poder viver aquele momento, mas faltava algo para ser melhor do que tudo... na realidade, sempre faltou.  Andando e notando tudo ao meu redor eu percebi que eu tento transmitir tantas coisas boas às pessoas que esqueço de voltar esse sentimento bom (pelo menos um pouco) pra mim... E nessa ansia incessante de dar bons sentimentos, me esqueço de olhar ao redor e receber os mesmos (para transmitir cada vez mais e melhores energias)..Percebo que tudo o que eu acredito e sinto me faz bem momentâneamente, porque quando realmente preciso de tudo o que busco (e conscientemente acho que tenho) vejo que algo está faltando, está errado e fora do lugar; Pode até existir, mas sempre acho que não vai ser bom pra mim...
Percebo que no mundo materialista de hoje, exatamente NINGUÉM consegue ler um olhar, porque se conseguissem, meu interior seria desvendado através dele; Ou eu consigo fingir MUITO bem!
Lido com a felicidade como se fosse uma capa, todos os dias ao acordar, visto-a e transmito que sou alguém plenamente feliz, mas no final do dia o cansaço toma conta e a capa sai sozinha, mostrando meu verdadeiro eu.
Minha felicidade nem sempre é recarregável... Minhas fontes de bons sentimentos nem sempre são renováveis... mas não deixo JAMAIS que percebam isso, tento esconder como se fosse o mais importante segredo. Normalmente, sorrio pra esconder qualquer sinal de infelicidade; Mas se pudessem ver o que realmente sinto e o turbilhão de sentimentos que há por trás de um simples ato, saberiam que nem sempre tenho motivos pra sorrir...