quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Prece - Ana Jácomo

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando estou mansidão e ternura. Quando estou contemplação e respeito. Quando as palavras fluem, sem esforço algum, sem ensaio algum, articuladas e belas, do lugar em mim onde eu e ele nos encontramos e brincamos de roda. Quando nelas incluo as pessoas que têm nome e aquelas que desconheço existirem. E os meus amores. E os meus desafetos. E os bichos. E as plantas. E os mares. E as estrelas. E

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando o medo me acompanha sem que a coragem se ausente. Quando as coisas seguem o seu rumo sem que eu me preocupe em demasia com o destino desse movimento. Quando eu me sinto conectada com o amor e reverente à vida. Quando as lágrimas nascem apenas de um alegre e comovido sentimento de gratidão. Quando caminho com a rara confiança que só as crianças que ainda não doem costumam experimentar, já que, infelizmente, algumas começam a doer muito cedo.

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando sou capaz de pressentir o sol mesmo atravessando uma longa noite escura. Quando posso cruzar desertos com a clara convicção de que a vida não é feita somente deles. Quando consigo olhar para todas as experiências, sem que aquelas que me desconcertam me impeçam de valorizar as que me encantam. Quando as tristezas que repentinamente me encontram não atrapalham a certeza da sua impermanência.

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando amanheço revigorada e anoiteço tranqüila. Quando consigo manter uma relação mais gentil com as lembranças difíceis que, às vezes, ainda me assombram. Quando posso desfrutar do contentamento mesmo sabendo que existem problemas que aguardam eu me entender com eles. Quando não peço nada além de força para prosseguir, por acreditar que, fortalecida, eu posso o que quiser, em Deus.

Mas eu desejo, profundamente, que Deus também ouça as preces que lhe dirijo quando eu não consigo elaborar prece alguma. Quando a dor é tão grande que minha fala não passa de um emaranhado de palavras confusas e desconexas que desenham um troço que nem eu entendo. Quando o medo me paralisa e perturba de tal forma que eu me encolho diante da vida feito um bicho acuado. Quando me enredo nas minhas emoções com tanta confusão que parece que aquele tempo não vai mais passar.

Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando só consigo chorar e, mesmo depois de já ter chorado muito, tenho a sensação de ainda não ter chorado tudo. Quando me sinto exaurida e me entrego a esse cansaço completamente esquecida dos meus recursos. Há momentos em que a gente parece ignorar tudo o que pode nos ajudar a lidar melhor com os desafios. Há momentos, ainda, em que a gente se confunde sobre o local onde, de verdade, os desafios começam.

Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando me parece que eu não acredito em mais nada. Quando sou incapaz de ver qualquer coisa além do foco onde coloco a minha dor. Quando não consigo articular meus pensamentos nem entrar em contato com alguma doçura que me faça lembrar das coisas que realmente nos movem. Quando não lhe dirijo nenhuma prece. Nem com palavras. Nem com um sorriso enternecido quando dou de cara com uma flor. Com um pôr-de-sol. Com uma criança. Com uma lua cheia. Com o cheiro do mar. Com o riso bom de um amigo. Que ele me ouça com o seu ouvido amoroso e me acolha no seu coração, porque é exatamente nesses momentos que eu não consigo ouvi-lo em mim.

domingo, 17 de julho de 2011

Klaled Hosseini - O Caçador de Pipas

"Não se pode amar alguém assim sem ter medo dele também. E talvez até um pouco de ódio"

"(...) ao ver como ele podia me atingir com tão poucas palavras."

  "Nada disso importa. Porque não é fácil superar a história"

"Mas aquele rosto era a minha lembrança mais remota e eu conhecia cada uma das suas nuanças mais  sutis"

"Porque, quando ele estava por perto, o oxigênio desaparecia do aposento. Sentia o peito apertado e tinha  dificuldade para respirar, ficava ali, sufocado na minha bolhazinha de atmosfera absolutamente abafada.  Mas mesmo quando ele não estava por perto, estava presente."

(...) no final, o mundo sai ganhando. As coisas são assim, pura e simplesmente.

"Naquele momento, eu o amei; mais do que jamais amei qualquer outra pessoa."

"Queria ter condições de respirar novamente"

"Gritaria, se pudesse. Mais, para gritar, é preciso respirar"

"Não me lembro que més era, nem mesmo que ano. Só sei que aquela lembrança vivia dentro de mim como  uma pedaço gostoso de passado."

(...) - Histórias tristes dão bons livros.

"Naquela época, ficava assim porque chorava, agora, ficou assim porque eu estava chorando"

"(...) foi o riso mais cansado que jamais ouvi"

"Acho que certas histórias não precisam ser contadas"

"Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que ter aquilo desde do começo"

"Tinha medo de começar a ponderar, ruminar, me angustiar, racionalizar, e a cabar me convecendo a não ir"

                                  "Ele me encarou. Nunca me senti tão nu em toda minha vida"

domingo, 19 de junho de 2011

Coração


Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.
Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.
Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.
Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.
Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.
Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.
Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.
Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.
Ana Jácomo

domingo, 15 de maio de 2011

Arthur Golden - Memórias de uma Gueixa

"Se você já não tem folhas ou casca ou raizes, pode continuar se considerando uma árvore?

"E se no fim da vida eu compreendesse que passara cada dia esperando um homem que nunca viria? Que dor insuportável seria, entender que eu realmente nunca soboreara as coisas que tinha comido nem enxergara direito os lugares quanto minha vida estava passando. Mas se afastasse dele meus pensamentos, o que me sobraria da vida? Seria como uma bailarina que treinara deste a infancia um espetáculo que jamais apresentaria."

"Se você não é 'o homem' que eu penso que seja, este não é o mundo que pensei que fosse."

"E sua boca era mais expressiva do eu notaria - tão expressiva, na verdade, que muitas vezes escondia muito mal seus sentimentos."

"De repente me senti tão fútil, uma menina fazendo pose para a multidão enquanto caminha, e descobrindo que a rua está vazia."


"Lançou-me aquele sorriso triste que eu achava tão belo, e perdi-me na contemplação de seus lábios perfeitos."

"Vê-lo de novo depois de tanto tempo era mais triste do que alegre."

"E naturalmente a preocupação e a luta tinham tornado a vida sempre tão vívida e real para mim"

"Estou certa de que de outro modo jamais poderia rer contado minha história. Acho que ninguém pode falar da dor enquanto ainda a sofre."


"Ás vezes- suspirou ele - acho que as coisas que recordo são mais reais do que eu as que vejo."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Encontro - Ana Jácomo

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio. Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. Dispensava nomes e entendimentos. Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo maravilhoso para ser dado e recebido, daqueles presentes que a vida embrulha com os seus papéis mais bonitos e entrega, toda contente, a duas pessoas. Havia algo para ser trocado, e troca é quando duas vidas se sentem olhadas ao mesmo tempo. Havia algo que fazia um coração falar com o outro, ouvir o que era dito, gostar do que era dito, rir com o que era dito, sentir-se espelhado, sentir-se enternecido, querer brincar, muito além do que qualquer palavra, por qualquer motivo, por qualquer defesa, tentasse, em vão, esclarecer. Uma vontade de parar todos os relógios do mundo para eternizar a dádiva da presença compartilhada, e a impressão de que às vezes até conseguíamos.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse.
Havia algo que escapava, ileso, dos artifícios todos, todos tolos, que a razão arranjava para não deixar o amor fluir com a beleza dele, o chamado dele, a natureza dele. Amor sempre arruma brecha para escoar entre os dedos temerosos do medo. Pode ser que a gente sinta tanto receio e se proteja tanto, as feridas antigas cicatrizadas coisíssima nenhuma, que nem consiga vivê-lo em sua plenitude. Mas que ele escoa, escoa. Esparrama no sorriso. Escapole no olhar. Canta no silêncio. Diz.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que delatava o desejo, os quarteirões da gente todos iluminados com o fogo feliz da sensualidade, iluminadas as ruas todas que dão acesso ao lugar onde o corpo e a alma costumam se encontrar e dançar numa única canção. Havia algo que não podia ser negado, preterido, amordaçado. Algo que inaugura primavera, tanto faz se é inverno. Algo raro e precioso. Que é perfeito, ao mesmo tempo que consegue incluir todas as imperfeições. Que é lindo, ao mesmo tempo que consegue integrar as esquisitices todas que gente também tem. Havia amor e, de um jeito ou de outro, sabíamos sem nos dizer, havia chegado pra ficar.

O amor quando é amor, é amor.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso
vital
'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como   'estou contente outra vez'"

Caio Fernando Abreu

Herói

É, sou uma pessoa qualquer; Tenho medos, anseios, qualidades e defeitos; Eu sei disso. E você também, não é?
Como todo super herói, tenho poderes mas ainda estão ocultos, esperando o momento certo para serem revelados. Como já dizia Molière, 'convém, em certas ocasiões, ocultar o que se traz no coração.' Espere, logo você ficará sabendo; Não, não vou me teletransportar até você, embora, a vontade é tanta que chega a doer. Não tenho poder de ler sua mente embora, muitas vezes saiba o que se passa por aí. E, infelizmente, também não sei voar, embora queira profundamente te observar todos os dias, mesmo que de longe. Em algum momento você saberá do dom que carrego comigo, não é nada que foge às leis da física mas você irá entender, eu sei. Afinal, você ás vezes se encarrega de ser um super herói não é? Que sempre me tira do fundo do poço e me diz pra ter cuidado. Mas como? existe sempre algo mais tentador pelo caminho para receber os meus olhares do que o chão. E eu, inocente que sou, vivo a cair nas ilusões que a estrada guarda. Mas você é herói, não é? E está ali pra segurar a minha mão em alguns tropeços que sempre dou. Mas queria deixar de ser a vítima e passar a ser heroína. Então seríamos finalmente iguais. Sem receios, medos, inseguranças. Teríamos de salvar um ao outro a cada dia. Um salvamento mútuo indispensável para cada um de nós. Mas ainda não me revelei heroína... você tem medo e ainda chora. Mas no momento certo verá que o meu dom vai além de qualquer outro dom que possa existir no mundo. E mais do que ver, você poderá sentir. Mas desculpe, ainda não podemos voar.
Mariana Bonzanini

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vá, menina

Vá menina, não pense muito, somente vá. Faça feliz o amor da sua vida.
Vá, corra e diga pra ele o quanto sofreu esse tempo todo, ele também sofre por ti, vejo isso em vocês.
Vá menina, esqueça o bom senso, o amor foge às regras de tudo.
Vá, beije o sorriso de quem tanto te espera e verás que ele ficará imensamente feliz.
Vá, volte para o amor da minha vida, porque, menina, tu és melhor do que eu.
Vá menina, ame-o com toda sua alma e tire o rancor do coração de um pobre menino magoado.
Não importa quem errou, menina. Aproveite, Eu jamais teria alguma chance diante de um amor tão imenso.
Vá menina, gosto de ti, principalmente por ver quanto amor há entre vocês e pelo seu dom de também amar o amor da minha vida.
Vá menina, pare de chorar e vá. Já deu tempo de se arrepender, agora vá concertar seus erros.
Ame-o menina, você o conhece e sabe o que ele costuma fazer numa segunda-feira à noite.
Vá, ame-o por mim e por todas que o amam também.
Vá, ninguém nunca te disse como ele fica quando está perto de você?
Vá menina, ele adora ouvir tua voz, a minha ele mal conhece..
Vá menina, não é generosidade de minha parte, mas vocês merecem ficar juntos!
Vá menina, esqueça do fim, das noites sozinhas e vá.
Vá dar o brilho do olhar de quem já não sabe mais o que é o amor.
Devolva o brilho do olhar do amor da minha vida, só você pode fazer isso.
Proteja-o menina, eu não suportaria viver sem aquele sorriso que é tão seu.
Não deixe a tristeza voltar, menina, só você pode tirar essa dor.
E fique ao lado dele, menina. Para sempre.
Eu não estarei com ele, mas ficarei feliz e segura por saber que ele está nos braços teus.

Mariana Bonzanini